terça-feira, 17 de junho de 2008

Quem é você?


-Diga quem, com quem acha que está falando?
Não vim ao mundo para confrontar quem pode mais.
Tenho influência sobre meus atos, dos quais sou rigorosamente responsável.
No mais, dispenso.
Dispenso disputas de liderança;
Dispenso querelas sobre quem sabe mais ou menos;
Dispenso lidar com vaidade alheia;
Dispenso quem perde minutos preciosos da vida
Querendo ter domíno sobre outro ser.
Isso é imoral;
Desrespeitoso;
Mentiroso;
Deselegante;
Ignorante;
Limitador de conhecimento...
Porque quem diz que é alguma coisa
Já se confinou na própria afirmação.
Caiu na ardilosa artimanha do "Poder".
Poder faz isso:
Quer mais.
Mais.
Mais...
Sísifo empurrando pedras.
Corrompe;
Reduz;
Cega;
Maltrata;
Humilha;
Macula a honra;
Corre em círculos;
Caminha para dentro,
Fechando o labirinto.
Solidão cercada de gente.
Conveniente.
Sem escape.
Sem saída.
Porta lacrada.
Pensamento que não voa;
Semente que não cresce;
Aprisionamento!
Usar o PODER
Como argumento
É um empobrecimento
Por mais ouro que se tenha.
(Ouro que não brilha)
- E o que se comete para tê-lo?
Atrocidade.
Desarmonia.
Vigarismo.
O poder é desmedido.
Reduz o ser a estado primitivo.
E uma vez nele,
Com ele,
O limpo ganha mancha.
Quisera fazer entender
Que, se alguém é bom em algo,
Outro alguém é melhor em outro.
É assim...
Simples.
Relativo.
Flexível.
Líquido.
-Digo quem estou: livre e em busca de...
(Rita Dantas)

terça-feira, 10 de junho de 2008

Reinvenção




Significado de sonhos é assunto que muito pouco me interessa, confesso. Para mim, os sonhos têm lá seu território demarcado e que lá ficam bem assentados, sem desmerecer Freud e sua interpretação de sonhos, nem muito menos a crença da Antiguidade de que os deuses utilizavam a linguagem simbólica dos sonhos para determinar a atitude dos homens, obviamente.
No entanto, uma idéia tem feito morada em minha mente. Cismei que a realidade sonhada nada mais é que um mundo paralelo. Vamos ao ponto: de manhã, acordo, sigo minha rotina casa-trabalho-casa-leitura-tv-cama-sono. Então, brinco com meu gato, converso com amigos pelo computador e tudo segue sua rotina que nunca é perfeita, mas é a que tenho. Essa é a vida real.
A vida imaginada/universo Matrix paralelo é a seguinte: nela sou uma atleta, onde o técnico diariamente repete: não largue nunca “os pesos”. “Tá sem fazer nada, pega uma série de 12 com 2 kg”. Acordo...novamente, segue o planejado para o cotidiano. Durmo, volta o tema: “pegue peso...seqüência de 12, 3 séries, peso 5”. Ufa!! “Faça isso, enquanto come seu sanduíche...distraidamente.” 7h40min, despertador toca, banho, comida para o gato, café solúvel, trocar de roupa, pegar jornal, beijo no filho de rabo...
De novo, noite...cama, desfalecer: o sonho: “o importante é manter a força”. “Teremos mais chance no jogo, se estivermos bem preparados fisicamente”.
Longe de mim querer interpretar coisa alguma. Argh!! Passo longe do que dizem os dogmas, signos, búzios, cartas...digo isso com segurança, porque essa fase já houve/passou, adquiri um relativo conhecimento genérico (não duvido de nada) sobre o assunto e, hoje em dia, a palavra de ordem é: “passo”. Saber o que diz o jornal sobre o meu dia, então...se pudesse, arrancava a página. Uma bobagem, como se nossa vida fosse mudar pela “sorte” cotidiana.
Mas...voltando à existência imaginada, quero crer que levo uma vida dupla. De dia, a moça que trabalha, leva seu dia-a-dia na linha mediana, nem muito, nem mais. Nem feliz, nem triste. Faz as coisas burocraticamente. À noite, a atleta...que rala, que não deixa a medida da massa corporal subir (preocupação constante da moça do dia...), mas ludicamente. Um jogar bola. A “malhação” é uma vírgula, porque subliminarmente está lá a menina que ri, brinca, treina. De noite, a moça é adolescente e as preocupações são com o resultado do jogo/esporte e não o jogo da vida real, de contas para pagar, aborrecimentos no trabalho, no trânsito, de matar leões por dia. E, coincidentemente, onde é preciso também ter força.
Vai ver isso é uma bobeira sem tamanho. Vai ver é Pequim que se aproxima. Vai ver fui tomada pelo espírito Olímpico. Mas, nessa roda viva, prefiro a vida inventada e sonhada que a realmente vivenciada. E, mesmo achando uma bobagem interpretar sonhos, estou aqui curtindo uma de questionar a realidade diurna.