terça-feira, 25 de junho de 2019

Big little lies é uma das series mais inquietantes dos últimos tempos. Baseada no romance de Liane Moriarty, foi produzida pela HBO, em 2017 para ser uma minissérie, mas foi tão premiada (Nicole Kidman, ganhou melhor atriz no Golden Globe, Associacao de Críticos, dentre outros) que virou série, hj em sua 2a temporada com o mesmo elenco de peso, acrescentando inclusive Meryl Streep. Mas o que ela traz de novo? O que tem de espetacular? Trilha sonora: SIM. Elenco: SIM. O que mais? Ela é escandalosamente cotidiana e REAL. Isso que prende. Porque nós nos enxergamos nela. Simples assim. Poderia até ser uma novela de Manoel Carlos, pq não??? Repleta de personagens e fatos que são comuns a todos.
Historias individualizadas e que se entrelaçam. Juntas no todo: grandioso, intenso, leve e subliminarmente dramático.
A realidade está ali escancarada. Presente nos pequenos gestos e atitudes sigilosas. Escondidas em portas lacradas, como a mascarar o privado do público. As pequenas grandes mentiras que escondemos em nosso íntimo ou microcosmo. Mentiras que contamos para sobreviver, para fantasiar, para esconder do outro o que realmente somos, escondidas  por trás de máscaras politicamente corretas.
A questão é: enxergamos que mentimos? Se sim, porque não abandonamos os laços cruéis que nos prendem a vidas vazias e hipocritas? Por medo? Por insegurança, ou melhor, para vivermos uma falsa segurança? 
O fato é que por covardia ou acomodação, ou sabe lá o que mais, fechamos os olhos ao bom, ao novo. Blindamos nossa vida a novas experiências, talvez enriquecedoras, vai saber? E aí ficamos em nosso mundo, nosso castelo, fingindo, sofrendo, magoando (a nós mesmos, sobretudo). Por ganância, por status, por vaidade, egoísmo...
Não entendemos que aquilo que definimos como SEGURANÇA é mentiroso. Não existe. Porque nada se constrói quando se tem como valor vaidade, exposição da figura, ostentação.
Não  nos acrescenta como seres humanos em evolução. Muito  pelo contrário.
Esse é o fascínio da série e que recomendo como reflexão, mudança de atitude e coragem para olhar para dentro e enxergar que paz e felicidade moram no simples, no que é efetivamente verdadeiro.