quarta-feira, 30 de abril de 2008

Para o meu amor, todo o meu amor...


1- O gato é apenas tecnicamente um animal, já que é divino. - Robert Lynd


2- Para entender um gato, devemos levar em conta que ele possui os seus próprios talentos, o seu próprio ponto de vista e até a sua própria moral. - Lilian Jackson Braun


3- Su amizade não se conquista facilmente, mas é algo que vale a pena possuir. - Michael Joseph


4- Aos olhos de um gato, todas as coisas pertencem aos gatos. - Provérbio inglês.


5 - Os gatos são uns tipos misteriosos. Em suas mentes passam-se mais coisas do que podemos imaginar. Sir Walter Scott


6- Os camundongos o divertiam, mas em geral ele os considerava uma brincadeira boba demais para ser levada a sério. Eu o vi brincar durante uma hora inteira com um ratinho e depois deixá-lo ir embora com uma majestosa condescendência. - Charles Dudley Warner


7- Não se podia acusá-lo de preguiçoso, mas ele bem que sabia a fórmula do sossego. - Charles Dudley Warner


8- O ócio sempre foi o meu ponto forte. Mas não por mérito próprio - trata-se de um dom. - Jerome K. Jerome


9- O menor de todos os felinos é uma obra-prima. - Leonardo da Vinci


10-O gato é o único animal doméstico anti-social. - Francis Galton


11-Até os mais esquivo dos gatos, quando se aconchega num casaquinho e se põe a dormir na cama de alguém - bem alimentado, bem acariciado e tratado com todo o cuidado do mundo -, deixa de lado qualquer senso de dignidade. - Murasaki Shikibu


12-Mesmo não sendo grandes amigos, o gato e o cão às vezes se beijam. - Provérbio.


13-Os gatos são indivíduos perfeitos, com suas próprias idéias sobre todas as coisas, incluindo as pessoas de quem são donos. - John Digman


14-Lá está ele deitado, sonhando, ronronando e, ocasionalmente, mudando as patas de posição em um êxtase de prazer acolchoado. Parece a encarnação de todas as coisas macias, sedosas e aveludadas, uma composição sem arestas, um sonhador cuja filosofia é dormir e deixar domir. - "Saki" (Hector Hugo Munro)


15-Meu gato tem um fraco por vinho quente e ponche de rum. Pobrezinho. Tanto melhor para ele. - Jerome K. Jerome


16-Gato: um leão em miniatura que abomina ratos, odeia cachorros e é condescendente com os humanos. - Oliver Herford


17- Com sinceridade, eu gosto de gatos. O gato é um animal que tem mais sentimentos humanos do que quase todos os outros. - Emily Brontë


18-Ele vive em penumbra em lugares secretos, livre e só - esse pequeno grande ser misterioso cuja dona chama de "meu gato". - Margareth Benson


19-Um gato embeleza o muro do jardim nos dias de sol e a lareira quando faz tempo ruim. - Judith Merkle Riley


20-Os gatos consentem que os amemos, pelo que devemos nos sentir agradecidos. - Anne Taylor Brown


21-Os gatos sabem como obter comida sem esforço, abrigo sem confinamento e amor sem castigo. - W.L.George


22-Ele às vezes se senta aos nossos pés e nos dias fita com um olhar tão profundamente dócil e amoroso que chega a assustar. -Theophile Gautier


23-Já que somos abençoados com apenas uma vida, por que não vivê-la com um gato? - Robert Slearns


24-Um gatinho é o encanto de um lar. Durante todo o dia, esse ator incomparável encena uma comédia. - Jules Chapfleury


25-Os gatos inventaram a auto-estima. - ERma Bombeck


26-Os gatos parecem seguir o princípio de que não há nenhum mal em reivindicar o que a gente quer. - Joseph Wood Krutch


27- Não há necessidade de esculturas numa casa onde vive um gato. - Wesley Batles


28-Uma casa que não tem um gato, um gato bem nutrido, bem amado e respeitado, pode até ser uma casa perfeita, mas como é que ela vai comprovar esse título? - Mark Twain


29-Todos os animais, exceto o homem, sabem que o melhor negócio da vida é vivê-la. - Samuel Butler


30-GATO É GATO, ISSO É UM FATO.


30 coisinhas para dizer sobre esse animal adorável e, em especial, para os seus donos. Sou a mãe de um deles - com muito orgulho: Dante Dantas, esta pérola de ser que fia em mim sua teia de afeto. Adoro você, meu filho, de rabo e patas.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

SCAVOLINI PESARO VINCE LO SCUDETTO


(Fonte: DataSport)


Al Pala Evangelisti di Perugia la Scavolini Pesaro ha a sua disposizione il match ball per chiudere i conti contro la Despar ed aggiudicarsi la Findomestic Volley Cup e non sbaglia. Le marchigiane, che avevano concluso al primo posto la regular season, alla loro prima finale scudetto non sbagliano un colpo e vincono la serie con un netto 3-0. Nella terza sfida le colibrì si sono imposte per 3-2 sulle campionesse uscenti di Perugia (18-25, 25-19, 25-19, 17-25, 15-12 i parziali) in una partita molto tesa e ricca di ribaltamenti di fronte, che sono state sul punto di lasciarsi sfuggire di mano nel quarto set.Nel primo parziale Pesaro si presenta con il sestetto base in campo, mentre Sbano opta per un cambio di ruolo tra Francia e Pachale. Le colibrì si portano subito sul 2-0 ma le umbre con Pachale e Francia agguantano il 2-2. Pesaro si riporta avanti 5-3 grazie al muro di capitan Guiggi, e incrementa il suo vantaggio fino al 10-5 grazie al doppio out di Del Core . Ma il cuore di Perugia è grande e Francia e compagne si rifanno sotto fino all'11-9 con un muro di Crisanti. Le ragazze di Vercesi possono contare su una Costagrande in grande spolvero, si affidano anche a Martina Guiggi che sigla il massimo vantaggio della Scavolini sul 19-11. Il muro delle colibrì è ancora una volta migliore di quello della Despar e il set si chiude in favore delle ospiti per 25-18 grazie a Sheilla.Le campionesse d'Europa di Perugia non ci stanno, vogliono riaprire la serie scudetto e iniziano meglio della avversarie il secondo set. Pesaro le raggiunge sul 5-5 con un muro della Furst e si porta avanti 6-7 con un muro della brasiliana Mari sulla Gioli. Bastano le prime battute però per capire che sarà un parziale tirato e infatti la Despar si riporta avanti 10-8 con Antonella Del Core, ma le marchigiane riescono ancora a recuperare con la Costagrande, visibilmente calata però nella seconda frazione di gioco, sull'11-11. Si lotta punto a punto fino al vantaggio della Scavolini per 17-15 con Mari, ma è un fuoco di paglia. Perugia si riporta avanti con un muro di Lucia Crisanti sul 19-18, ma il sestetto di Vercesi sigla il 19-19 con la Furst. A questo punto sale in cattedra la classe di Mirka Francia e Simona Gioli e la Despar mette a segno un parziale di 9-1 aggiudicandosi la seconda frazione di gioco per 25-19.Pesaro risente del colpo, e nel terzo set non riesce a reagire. Perugia si porta subito avanti 8-5 con Simona Gioli, le colibrì trovano il 9-9 con la Furst ma poi è un monologo Despar che chiude il parziale 25-19 con l'ultimo punto che porta la firma della Del Core. Le marchigiane si riprendono nel quarto set, sul 5-5 la tensione esplode con i tifosi di Perugia che si lamentano per l'esultanza eccessiva ad ogni punto del coach di Pesaro Vercesi. Quando il Pala Evangelisti ritrova la tranquillità sono le ospiti a portarsi avanti con un muro di Mari su Pachale. Perugia cerca di rifarsi sotto ma è la Scavolini a chiudere in scioltezza sul 25-17 con un muro di Martina Guiggi. Si va al tie break.La Scavolini si è ritrovata e passa subito a condurre il parziale 6-3, complici anche un paio di disattenzioni di Perugia. Le colibrì non sbagliano più nulla a muro, la Costagrande torna ai livelli che l'hanno contraddistinta in questa stagione, fino al 12-8. La Despar è ancora viva e si rifà sotto 12-10 con Simona Gioli, ma la Costagrande non sbaglia la palla del 15-12. L'incubo della finale di Coppa Italia, persa contro Bergamo, è passata e la festa scudetto può cominciare: la Scavolini Pesaro è campione d'Italia per la prima volta.

domingo, 20 de abril de 2008

Tanto mais...


Quanto amor, hein Tillo? Eis o preço de ser todo sentimento. A sensação de tanto a dar a ponto de transbordar. Aqui estamos desaguando, caindo, reerguendo, juntando cacos, recomeçando em pedaços colados. E dando de cara com constatações: o tempo anda, padrões se repetem e ainda caímos na esparrela de achar que o outro tem o prato para guardar tanta água. Até que esse também transborde.
Que tal fazer diferente, hein? Ainda há tempo. O amor está por aí e nos espreita. Deixe que ele venha, sem medo ou culpas. Não joguemos no outro expectativas ou projeções, porque cada um é um só, único e em pedaços. Mas é OUTRO. Pensa diferente, enxerga diferente e, por isso mesmo, merece nosso respeito. Disse respeito, não subserviência. Esse é o caminho para um encontro saudável...de outro modo, não serve.
Beijo. Escreva...recupere aquele sujeito de antes que escrevia o não dito, o subliminar. Aquele ingrediente a mais que tornava a sua, a nossa vida em contemplação.

sábado, 19 de abril de 2008

Existência



Fogo, relâmpago.

Acatamos o barulho do trovão.

Mundo hipotético,

Que mistério é esse?

Vivemos dormindo

Totalmente divorciados da verdade dos fatos.

Que fatos?

A vida realmente é um mistério.

O tempo não muda.

As pessoas passam.

As águas correm...

A vida: esta, a rigor, não tem meta.

E o homem acorrenta-se em extremos:

O começo e o fim

(entre os dois o tudo ou o nada).

E a roda gira, em ribombares.

Choramos a primeira vez ao nascermos

- o ar entra nos pulmões -

Tornamo-nos PESSOA.

No derradeiro suspiro,

Não somos pessoa, nem coisa.

Somente bem inviolável

Presente em forma de memória.


Posse


Posse

Direta, indireta

Justa, injusta

De boa e de má-fé.

Titulada, não titulada.

Contínua, descontínua.

Posse

Nova, velha

De coisa, de direito.

Composse.

Posse ad usucapion.

O que é posse?

Direito obrigacional?

Fato gerador propriedade ou vice-versa?

Posse...propriedade...domínio.

Posse com propriedade!

Posse com propriedade?

-Sufoca!


Tratar algo ou alguém como "bem" (=utilidade) é um equívoco, em origem. Nada se tem, nada se é. As coisas ou pessoas "estão"...em movimento e assim devem continuar. Ninguém deve achar que é "dono" do que seja. Aliás, esse é o caminho para um aprisionamento próprio.

Proposta: algum momento você sentiu ser proprietário de algo? Que seu trabalho é seu; que aquela pessoa é sua...? Se sim, que sensação isso lhe traz?


Primeira pessoa do singular, às vezes, à última


"Eu que tenho mãe, que tenho pai, que tenho irmãos.

Eu que tenho colegas e grandes amigos.

Eu que trabalho, que estudo, que pago as minhas contas.

ainda que deva no cartão (provavelmente porquê nunca fui bom em matemática).

Eu que me atraso, que me esqueço, que me canso;

que anoiteço quase sem sono.

Eu que odeio acordar cedo.

Eu que vou com a barriga cheia e,, às vezes, vou com fome mesmo.

Eu que dependo de transporte coletivo.

Eu que tenho pressa.

Eu que me esforço pra lembrar: das datas, das pessoas, dos compromissos e contas a pagar.

Eu que me divirto, mas não sei rir de piadas.

Que sei jogar xadrez, mas não sei jogar truco.

Eu que gosto de ouvir histórias.

Eu que me emociono.

Eu que fico doente: diarréia, náusea, fungo, gripe, enxaqueca, dor-de-garganta...

Eu que convalesço.

Eu que tenho espinhas, que tenho o cabelo rebelde, que não tenho o corpo que se vê na tv.

Eu que sou só gente.

Eu que fico feliz, triste e às vezes deprimido.

Eu que tenho as minhas piras e preocupações.

Eu que enho medo.

Eu que desespero, que dramatizo, que me atrapalho.

Que complexifico ao tentar simplificar.

Que me explico.

Que me erro.

Eu que me tento entender.

Eu que tive amores, que passei pelas dores da perda e do luto.

Que carrego estrias, fissuras, cicatrizes.

Eu que remendei os cacos.

Eu que bobo: continuo amando.

Eu que não amei a quem me queria (poderia?).

Que provoquei estrias, fissuras e cicatrizes.

Eu que perdi.

E tão perdido: aturdido.

Eu que tenho fome (de que?).

Eu que tenho sede...

Eu que saboreio o doce e o amargo, e ainda quero o ardido, o azedo e o salgado.

Eu que quero o cheiro, o toque, o gosto...

Eu que subo pelas paredes.

Eu: homem aranha.eu que devoro livros, que devoro filmes, que devoro pessoas.

Eu que sou alimento.

Eu que sou devorado pelos dias e por aquilo que me mantêm pulsante.

Eu que oxído.

Eu que odiando esperar, ainda espero...espero...espero.

Eu que me repito.eu que às vezes não me tolero de mau humor.

Tenho pena dos que também me precisam tolerar.

Eu que tenho o meu limite e a minha medida.

E, às vezes, passa.

Eu que me olho no espelho.

Às vezes me achando feio, às vezes me achando "guapo".

Às vezes queria só o avesso.

Eu que passei a vida em "8 ou 80", descubro, abismado, os espaços "entre".

Eu que fui criança, adolescente, adulto e velho.

Eu que continuo sendo.

Eu que preciso tanto.

De tanto e de tão pouco.

Eu que acalento sonhos.

Eu que anseio até nausear.

Eu que falo demais por não saber o que dizer, nem onde, nem como.

Talvez quando.

Eu que sigo gritando.

Eu que falo palavrão e fico esperando para ver a reação dos outros.

Eu que falo palavrão simplesmente por quê dá vontade mesmo.

Ou por quê o computador deu pau.

Eu de saco-cheio.

Eu que não assimilo a regra dos "porquês".

Eu que desconheço quase tudo, ainda que lhes tenha alguma intuição.

Eu que aprendi a rir passada alguma tristeza;

Dependendo da hora... não acho muita graça.

Eu que fico tenso por não saber relaxar,

Às vezes, sou pego de surpresa por um relax qualquer.

Eu que me assusto.

Eu que tento e continuo tentando.

Às vezes desisto, às vezes retomo;

Na maior parte das vezes adio e deixo pra última hora.

E, às vezes, a hora passa.

Eu que nem sempre colho o que plantei.

Eu que nem sempre planto.

Eu que me ausento.

Eu que rumino a dúvida: na escolha das roupas, na confeitaria, na vitrine das lojas, na videolocadora...

Às vezes descubro, indignado, o quanto me equivoco.

Eu que em minhas respostas, trago muitas perguntas.

Eu que, se não as tenho: as invento. ou pego emprestado.

Eu que estou nas ruas, virando a esquina ou atravessando fora da faixa.

Eu que estou nos shoppings, nas livrarias, nos cafés, nos 1,99...

Ou passeando nos mercados a analisar embalagens.

E indignado com os preços.

Eu que corri na chuva cheio de sacolas.

Eu fora das janelas.

Eu que na balada dancei ao seu lado.

Eu que estava atrás de você na fila do banco.

Eu que não estou suando na academia.

Mas estive.

Eu que não estou nem aí.

Eu que estou por aí.

Eu que me mudei.

E que me mudo sempre.

Eu que tenho talentos e virtudes.

Eu que tenho defeitos e manias.

Que sou irritantemente contraditório, inclusive aqui.

Eu que sinto demais e, às vezes, de menos...

eu que tenho camadas, facetas, reflexos.eu igual, eu diferente, eu nada-a-ver.

Eu: de repente.

Eu que tenho mãe, que tenho pai, que tenho irmãos.

Eu que tenho colegas e grandes amigos.

Eu que sou todos eles.

Eu que sou tanta gente.

Eu nesse mundo.

Eu que "não sei se a vida é pouco ou demais pra mim"

Por hora, finjo estar satisfeito.

Por hora, não sinto frio.

Por hora, a fome passa.

Por hora, não estou só.

Por hora, tenho tempo.

(enquanto isso em Casablanca: "sempre teremos Paris")

Eu: no discurso.

Enquanto isso, na batcaverna ou em outro lugar,

Eu: primeira pessoa do singular, respiro.

E por hora isto basta."

(Eduardo Maldonado)


O texto acima de Eduardo Maldonado não é nenhum acesso de egotrip, massagem de ego ou momento "me, mine, myself". Pelo contrário: uma orientação para a necessidade do olhar para dentro. Uma viagem do em busca de que quase ninguém tem tempo de fazer, seja por descaso, ignorância, soberba...medo. Novamente, aqui, refaço a proposta do parar por 5 minutos...e abrir portas para descobertas. Boa viagem!

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Ensaio sobre a cegueira


(...) Já me sinto bem, mas naquele mesmo instante pensou que tinha enlouquecido, ou que desaparecida a vertigem ficara a sofrer de alucinações, não podia ser verdade o que os olhos lhe mostravam, aquele homem pregado na cruz com uma venda branca a tapar-lhe os olhos, e ao lado uma mulher com o coração trespassado por sete espadas e os olhos também tapados por uma venda branca, e não eram só este homem e esta mulher que assim estavam, todas as imagens da igreja tinham os olhos vendados, as esculturas com um pano branco atalado ao redor da cabeça, as pinturas com uma grossa pincelada de tinta branca, e estava além uma mulher a ensinar a filha a ler, e as duas tinham os olhos tapados, e um homem com um livro aberto onde se sentava um menino pequeno, e os dois tinham os olhos tapados, e um velho de barbas compridas, com três chaves na mão, e tinha os olhos tapados, e outro homem com o corpo cravejado de flechas, e tinha os olhos tapados, e uma mulher com uma lanterna acesa, e tinha os olhos tapados, e um homem com feridas nas mãos e nos pés e no peito, e tinha os olhos tapados, e outro homem com um cordeiro, e os dois tinham os olhos tapados, e outro homem com uma laça dominando um homem caído, chavelhudo e com pés de bode, e os dois tinham os olhos tapados, e outro homem com uma balança, e tinha os olhos tapados, e um velho calvo segurando um lírio branco, e tinha os olhos tapados, e outro velho apoiado a uma espada desembainhada, e tinha os olhos tapados, e uma mulher com uma pomba, e as duas tinham os olhos tapados, e um homem com dois corvos, e os três tinham os olhos tapados porque já os levava arrancados numa bandeja de prata. A mulher do médico disse para o marido, Não me acreditarás se eu te disser o que tenho diante de mim, todas as imagens da igreja estão com os olhos vedados, Que estranho, por que será, Como hei-de eu saber, pode ter sido obra de algum desesperado da fé quando compreendeu que teria de cegar como os outros, pode ter sido o próprio sacerdote daqui, talvez tenha pensado justamente que uma vez que os cegos não poderiam ver as imagens, também as imagens deveriam deixar de ver os cegos, As imagens não vêem, só agora a cegueira é para todos. Tu continuas a ver, Cada vez irei ver menos, mesmo que não perca a vista tornar-me-ei mais e mais cega cada dia porque não terei quem me veja, Se foi o padre quem tapou os olhos das imagens, É só uma idéia minha, É a única hipótese que tem um verdadeiro sentido, é a única que pode dar alguma grandeza a esta nossa miséria, imagino esse homem a entrar aqui vindo do mundo dos cegos, aonde depois teria de regressar para cegar também, imagino as portas fechadas, a igreja deserta, o silêncio, imagino as estátuas, as pinturas, vejo-o ir de uma para outra, a subir aos altares e a atar os panos, com dois nós, para que não deslacem e caiam, a assentar duas mãos de tinta nas pinturas par tornar mais espessa a noite branca em que entraram, esse padre deve ter sido o maior justo, o mais radicalmente humano, o que veio aqui para declarar finalmente que Deus não merece ver.

(José Saramago)


Recentemente, reli Ensaio sobre a Cegueira e, novamente, o livro me surpreende. Um atropelo, um soco na cara...uma porrada desprevenida. Incrível pensar o que o ser humano é capaz de fazer quando não sobra, sequer, sua dignidade. Ver a miséria humana em reflexo...há quem perca tempo dizendo que a estilística de Saramago é menor que a em Borges, que a dialética é inferior a Camões. Bobeira sem tamanho, porque se o estilo do autor é estereotipado ou não, se as personagens são clichês ou não...não importa. O que vale é genialidade de uma leitura que remete à refexão. Ou seja: não importa o que você pensa, mas PENSE! Eis a riqueza do livro.

"Uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos."

Recomendação: leiam "Ensaio sobre a cegueira" e questionem...abração. Rita

terça-feira, 1 de abril de 2008

Os dias lindos


NÃO BASTA SENTIR a chegada dos dias lindos. É necessário proclamar: “Os dias ficaram lindos.”
Acontece em abril, nessa curva do mês que descamba para a segunda metade. Os boletins meteorológicos não se lembraram de anunciá-lo em linguagem especial. Nenhuma autoridade, munida de organismo publicitário, tirou partido do acontecimento. Discretos, silenciosos, chegaram os dias lindos.
E aboliram, sem providências drásticas, o estatuto do calor. A temperatura ficou amena, conduzindo à revisão do vestuário. Protege-se um tudo-nada o corpo, que vivia por aí exposto e suado, bufando contra os excessos da natureza. Sob esse mínimo de agasalho, a pele contente recebe a visita dos dias lindos.
A COR. Redescobrimos o azul correto, o azul azul, que há meses se despedaçara em manchas cinzentas no branco sujo do espaço. O azul reconstituiu-se na luz filtrada, decantada, que lava também os matizes empobrecidos das coisas naturais e das fabricadas. A cor é mais cor, na pureza deste ar que ousa desafiar os vapores, emanações e fuligens da era tecnológica. E o raio de sol benevolente, pousando no objeto, tem alguma coisa de carícia.
O AR. Ficou mais leve, ou nós que nos tornamos menos pesadões, movendo-nos com desembaraço, quando, antes, andar era uma tarefa dividida entre o sacrifício e o tédio? Tornou-se quase voluptuoso andar pelo gosto de andar, captando os sinais inconfundíveis da presença dos dias lindos.
Foi certamente num dia como estes que Cecília Meireles escreveu: “A doçura maior da vida flui na luz do sol, quando se está em silêncio. Até os urubus são belos, no largo círculo dos dias sossegados.” Porque a primeira conseqüência da combinação de azul e leveza de ar é o sossego que baixa sobre nosso estoque de problemas. Eles não deixam de existir. Mas fica mais fácil carregá-los.
Então, é preciso fazer justiça aos dias lindos, oferecer-lhes nossa gratidão. Será egoísmo curti-los na moita, deixando de comentar com os amigos e até com os desconhecidos, que por acaso ainda não perceberam o raro presente de abril: “Repara como o dia está lindo.” Não precisa botar ênfase na exclamação. Pode até fazê-la baixinho, como quem transmite boato e não deseja comprometer-se com a segurança nacional. Mesmo assim, a afirmação pega. Não só o dia fica mais lindo, como também o ouvinte, quem sabe se distraído ou de lenta percepção sensorial, ganha a chance de descobri-lo igualmente. Descobre e passa adiante a informação.
A reação em cadeia pode contribuir para amenizar um tanto o que eu chamo de desconcerto do mundo. De onde se conclui: deixar de lado, mesmo por instantes, o peso dos acontecimentos mundiais, trágicos, esmagadores, para degustar a finura da atmosfera e a limpidez das imagens recortadas na luz, é um passo dado para reduzir o desconcerto, na medida em que a boa disposição de espírito de cada um pode servir de prefácio, ou rascunho de prefácio, à pacificação, ou relativa pacificação, dos povos e seus dominadores. Em vez de alienação, portanto, o prazer dos dias lindos é terapia indireta.
Pode ser que o desconhecido lhe responda com um palavrão, desses em moda na sociedade mais fina. Não faz mal. Não se ofenda. Ele descarregou sobre a sua observação amical o azedume que ameaçava corroê-lo. Livre deste fel, talvez se habilite a olhar também para o céu e a descobrir mesmo certa beleza esvoaçante no urubu. De qualquer modo, foi avisado. Já sabe que o que estava perdendo: a consciência de que certos dias de abril e maio são mais lindos do que os outros dias em geral, e nos integram num conjunto harmonioso, em que somos ao mesmo tempo ar, luz, suavidade e GENTE.
Proposta: como diz o texto, não adianta sentir a chegada dos dias lindos. É preciso proclamá-los. Ninguém precisa achar tudo uma maravilha de um dia para o outro. Mesmo porque seria surreal isto. O mundo está aí, fazendo convites diários para contemplar-se à realidade, em sua rudeza. Importante é, entretanto, manter um olhar contemplativo para o entorno. Que tal, então, cada um ter os seus "5 segundos" cotidianos para mudar o paramêtro do que se enxerga?