terça-feira, 23 de setembro de 2008

Cumpre anos


Sou eu aos 6 anos
Inocente, aldaz.
Aquela que sonha.
Quis e foi.
Sou eu aos 15
Moça arrogante,
Destemida, arredia.
Sou eu, aos 20, desvirginada.
Infância perdida.
Primeiro amor.
Primeira dor.
Corpo queima.
Treme.
Geme.
Isso é prazer?
Esse sufoco.
Um espirro,
Um espasmo.
Sou eu aos 25.
Não vejo o atrás.
Infante.
Aderente.
Errante.
Sólida,
Paradoxalmente,
Flexível.
Sou eu aos 29...
Tanto afeto.
Amor puro, não sabe a força que tem.
Sou eu menina.
"Tão linda quando chora"
Sou eu descobrindo a América.
Pisando solos.
Enxergando,
Vendo,
Conhecendo.
Vento em popa.
Sou eu aos 33...
Meu amor, minha dor.
E se tivéssemos a chance de fazer tudo,
novamente,
Faríamos?
Sou eu no chão.
Caindo na poça.
Rosto molhado.
Chuva. Lágrimas.
"Como você fica linda chorando".
Em que seguro?
Como reerguer,
Se não há paredes,
Sequer teto?
Tempo...
Tempo...
Sou eu aos 38.
Eólica.
Vento que leva.
Mar que quebra.
Líquida.

(Rita Dantas)

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Platão e o amor




"Amor platônico, na acepção vulgar, é toda a relação afetuosa em que se abstrai o elemento sexual, idealizada, por elementos heterossexuais de gêneros diferentes - como num caso de amizade pura, entre homem e mulher.
Esta definição, contudo, difere da concepção mesma do amor ideal de Platão, da qual surgiu a atual idéia grosseira, o filósofo grego da Antigüidade, que concebera o Amor como algo essencialmente puro e desprovido de paixões, ao passo em que estas são essencialmente cegas, materiais, efêmeras e falsas. O Amor, no ideal platônico, não se fundamenta num interesse (mesmo o sexual), mas na virtude."
Fonte Wikipedia




É melhor consumar um amor ou mitificá-lo, não maculando sua essência?
Realizar algo que está na casa do sonho é confrontar as imperfeições.
Em sendo assim, por que não deixar cada coisa em seu pedestal?
Para que tirá-las da atmosfera do encantamento, se aí não é preciso enxergar o outro em suas vicissitudes?
Ah, então está claro. O melhor é guardar o sentimento lacrado, calado.
Manter-se à distância do real que pode trazer sofrimento.
Ufa! Essa foi por pouco. Claro que é.
Mas, que droga, mesmo deixando adormecer,
Tem algo aqui que dói...
Um beijo dado em outro e não em você.
Um toque, um afago: em outro e não em você.
Um carinho: em outro e não em você.
Ora, mas não está ótimo esse amor subliminar
E de entrelinhas?
Será?
Digo, será?
O fato é que amar no silêncio incomoda tanto
- ou mais -
Que um amor consumado
E talvez fadado ao insucesso.
Mas, criatura!! Se é fadado ao insucesso,
Para que insistir?
Eita gente que gosta de sofrer, viu!!
Melhor mesmo não seria o "amor sarcástico"?
Aquele sexual, onde sentir conta tão pouco?
Sim...esse parece uma boa solução:
Sem apegos, sem esperas
-por telefonema; convites; preocupações com o outro.
Mas e o tal botão do desliga afeto?
Existe?
Penso que não...
Não antes da passagem das horas,
Não antes do cansaço natural das experiências
não consumadas.
Ah, então amor platônico cansa?
Tende ao desgaste, creio.
Não acredito mesmo que alguém que ame sozinho,
Por sei lá quanto tempo,
Seja feliz.
E outra, é natural do ser humano
- Diga-se, incompleto -
Querer tratar com um certo desdém
O acessível.
Esse está tão próximo, não?
Não requer esforço.
É terreno seguro.
Basta esticar o braço que ele vem.
Então, deixa ir para o mais dificilzinho primeiro.
Putz, quebrei a cara com esse!
Procuro outro!
Ih, quebrei novamente!
Ai que não agüento sofrer
Espera tem aquele fulano ali
Que eu sei que me adora
Sempre por perto nas idas e vindas.
Como isso é confortável!
Posso ir e voltar que o suporte está lá.
Está?
Onde?
Ué, cadê?!