quarta-feira, 1 de junho de 2011

A furona do flamengo



Tem mais uma "Carioca" para acrescentar na listinha do Veríssimo:"A furona do Flamengo" - Rita era uma mulher dividida. Queria fazer tudo, ao mesmo tempo agora, como aquelas mulheres que só dizem sim. Convite para almoço: SIM! Convite para show: SIM! Japonês, francês, tailandês, português: SIM, SIM, SIM, SIM..."você troca seu A4 por bike com pneu furado??? SIM!! E, assim ela ia, dizendo SIM para tudo.Acontece, diz a física, que não é possível estar em 2 cantos ao mesmo tempo. Imagine 3, 4, 5...e nem é que os acontecimentos fossem tantos, mas como fazer quando, num mesmo dia, mesma hora, aparecem vários compromissos??? A resposta era SIM, sempre...mas COMO estar em mais de um lugar???E assim Rita ia...divididinha, divididinha, como uma laranja fatiada..."e se eu optar por isso, mas quiser aquilo?" "E se aquilo for chato de doer..."Então, acontecia o seguinte: para não ter que dizer NÃO, Rita descobriu que a melhor saída era NÃO SAIR. E virou a pessoa mais FURONA que o bairro do flamengo já viu. Ficar em casa e não correr o risco de ficar mal com um ou com outro...
(história a continuar...)

sábado, 23 de abril de 2011

OS DIAS LINDOS



(Carlos D.de Andrade)


Não basta sentir a chegada dos dias lindos. É necessário proclamar: “Os dias ficaram lindos.”
Acontece em abril, nessa curva do mês que descamba para a segunda metade. Os boletins meteorológicos não se lembraram de anunciá-lo em linguagem especial. Nenhuma autoridade, munida de organismo publicitário, tirou partido do acontecimento. Discretos, silenciosos, chegaram os dias lindos.
E aboliram, sem providências drásticas, o estatuto do calor. A temperatura ficou amena, conduzindo à revisão do vestuário. Protege-se um tudo-nada o corpo, que vivia por aí exposto e suado, bufando contra os excessos da natureza. Sob esse mínimo de agasalho, a pele contente recebe a visita dos dias lindos.
A cor. Redescobrimos o azul correto, o azul azul, que há meses se despedaçara em manchas cinzentas no branco sujo do espaço. O azul reconstituiu-se na luz filtrada, decantada, que lava também os matizes empobrecidos das coisas naturais e das fabricadas. A cor é mais cor, na pureza deste ar que ousa desafiar os vapores, emanações e fuligens da era tecnológica. E o raio de sol benevolente, pousando no objeto, tem alguma coisa de carícia.
O ar. Ficou mais leve, ou nós é que nos tornamos menos pesadões, movendo-nos com desembaraço, quando, antes, andar era uma tarefa dividida entre o sacrifício e o tédio? Tornou-se quase voluptuoso andar pelo gosto de andar, captando os sinais inconfundíveis da presença dos dias lindos.
Foi certamente num dia como estes que Cecília Meireles escreveu: “ doçura maior da vida flui na luz do sol, quando se está em silêncio. Até os urubus são mais belos, no largo círculo dos dias sossegados.” Porque a primeira consequência da combinação de azul e leveza de ar é o sossego que baixa sobre nosso estoque de problemas. Eles não deixam de existir. Mas fica mais fácil de carregá-los.
Então, é preciso fazer justiça aos dias lindos, oferecer-lhes nossa gratidão. Será egoísmo curti-los na moita, deixando de comentar com os amigos e até com desconhecidos, que por acaso ainda não perceberam o raro presente de abril: “Repare como o dia está lindo.” Não botar ênfase na exclamação. Pode até fazê-la baixinho, como quem transmite boato e não deseja comprometer-se com a segurança nacional. Mesmo assim, a afirmação pega. Não só o dia fica mais lindo, como também o ouvinte, quem sabe se distraí-do ou de lenta percepção sensorial, ganha a chance de descobri-lo igualmente. Descobre e passa a adiante a informação.
A reação em cadeia pode contribuir para amenizar um tando o que eu chamo de desconcerto do mundo. De onde se conclui: deixar de lado, mesmo por instantes, o peso dos acontecimentos mundiais, trágicos, esmagadores, para degustar a finura da atmosfera e a limpidez das imagens recortadas na luz, é um passo dado para reduzir o desconcerto, na medida em que a boa disposição de espírito de cada um pode servir de prefácio, ou rascunho de prefácio, à pacificação, ou relativa pacificação, dos povos e seus dominadores. Em vez da alienação, portando, o prazer dos dias lindos é terapia indireta.
Pode ser que o desconhecido lhe responda com um palavrão, desses em moda na sociedade mais final. Não faz mal. Não se ofenda. Ele descarregou sobre a sua observação amical o azedume que ameaçava corroê-lo no íntimo. Livre desse fel, talvez se habilite a olhar também para o ceu e a descobrir mesmo certa beleza esvoaçante no urubu. De qualquer modo, foi avisado. Já sabe o que estava perdendo: a consciência de que certos dias de abril e maio são mais lindo do que os outros dias em geral, e nos integram num conjunto harmonioso, em que somos ao mesmo tempo ar, luz, suavidade e gente.


Para as gratas surpresas que abril trouxe.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Como perder a pose antes mesmo de chegar no destino de uma viagem




Resposta: passar mais de um dia em conexão de voo. Alguém lembra de "O terminal" com o Tom Hanks??? Bem parecidoooo...reparem.