
No início, havia a maçã, que de mero fruto da macieira foi elevada à categoria de geradora do pecado original, símbolo da imperfeição humana. Também quem manda Adão e Eva comerem e gostarem da fruta? Pronto: parto, não parto. Parto. Estava feita a gravidade e a brincadeira ficou séria. Coisa da pesada!! A expulsão do paraíso (manda lá Campos Elíseos que é mais charmoso) trouxe conseqüências irreversíveis. O lúdico passou a gerar: gente. E da luz fez-se o humano.
Muito tempo depois, um tal de Newton descobre a Lei da Gravidade. Novamente, quem é a protagonista??? Ela, a bendita da maçã. E o que já não era simples ganhou status de existência. O homem...de ascendência famosa revela que sem a gravidade não haveria sol, lua, corpos celestiais, outros homens, NADA! A vida sequer existiria, nem mesmo os pais da criança.
A coisa se deu assim: o cara cismou em resolver um dilema pessoal. Sim, os dilemas pessoais são sempre causa de tudo. Pode pôr força na reza que é isso aí. Voltando à cena...o sujeito debaixo da árvore, lendo seu livrinho, fumando um cigarrinho de efeito relaxante (a história fala de uma certa erva da boa), ao som das cotovias, mastigando um pedaço de capim e curtindo uma fresca, numa nice. Daí a mitológica fruta cai em sua cabeça e o fulano pirou de vez...“por que uma maçã cai da macieira para o chão, em vez de flutuar?” – É sério, já tô com dó da coitada da fruta. E o cara formulou a lei da gravitação universal e a palavra gravidade ganha grau e intensidade.
-A gravidade é a força que nos puxa para baixo- É isso. Sem ela estava todo mundo numa boa, boiando por aí...gravitando, desplugado da terra. Leve, leve, livrinho para perambular. Mas ela veio e, diante do quadro, era preciso adaptar-se ao que havia. A fulana chegou, atraindo de um tudo para o centro da terra. Quando muito, se permitia um duplo twist carpado aqui ou um mortal para trás com meia volta, acolá. Nada muito além disso.
Pois a situação assim se desenhou. A lei da gravidade apareceu e ferrou geral. E nem adiantou o outro filho de Eva – Einstein – vir adiante com a história de que tudo era relativo. Conversa...o fato é que nascendo a criatura já começava o jogo em desvantagem. Se não fosse, por que a fêmea fica “Grávida”? Olha lá o nome, recheando o ser de peso, da concepção ao parto. E parte mesmo. Parte pra batalha...chorando, chutando: “se tenho que deixar o quentinho aqui de dentro, vamos logo para o ataque que o tarde já fez hora”. É o estado de graça e gravidade da gravidez física/da física.
Nascer com uma placa adiante avisando: -vai lá. A vida é boa à beça, mas você vai levar porrada se quiser ser gente. Vai sofrer; perder;ganhar; ver o chão de perto, com a água escorrendo pelas calçadas; levantando, devagarzinho, primeiro os braços, depois a cabeça...um suspiro, sacudindo a lama empoeirada das calças, olhando para o céu e tocando em frente. E depois, depois e depois, sorrindo novamente, preparando a gestação daquele que virá.
Porque vida é isso: “a ave sai do ovo. O ovo é o mundo. Quem quiser nascer tem que destruir um mundo.”
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