
De manhã cedo, essa senhora se conforma
Bota a mesa, tira o pó, lava a roupa, seca os olhos
Ah, como essa santa não se esquece
De pedir pelas mulheres
Pelos filhos, pelo pão
Depois sorri, meio sem graça
E abraça aquele homem, aquele mundo
Que a faz, assim, feliz
De tardezinha, essa menina se namora
Se enfeita, se decora,
Sabe tudo, não faz mal
Ah, como essa coisa é tão bonita
Ser cantora, ser artista
Isso tudo é muito bom
E chora tanto de prazer e de agonia
De algum dia, qualquer dia
Entender de ser feliz
De madrugada, essa mulher faz tanto estrago
Tira a roupa, faz a cama, vira a mesa, seca o bar
Ah, como essa louca se esquece
Quanto os homens enlouquece
Nessa boca, nesse chão
Depois, parece que acha graça
E agradece ao destino aquilo tudo
Que a faz tão infeliz
Essa menina, essa mulher, essa senhora
Em que esbarro toda hora
No espelho casual
É feita de sombra e tanta luz
De tanta lama e tanta cruz
Que acha tudo natural.
(Joyce)
Maio sempre foi um mês meio que meio...significativo (que expressa ou indica alguma coisa), incompreensível=inacessível à razão, por vezes. Recentemente, coisa de 2 anos pra cá, penso que o mistério se desfez ou a venda foi tirada dos olhos. Algo, neste período, sempre vinha: um começo; fim de partida; tempestade; medo; uma porrada e um sopro...enfim, a musiquinha aí em cima é para esta mulher que fez de sua passagem neste mundinho algo de valor. Beijo, querida titia.

Nenhum comentário:
Postar um comentário