terça-feira, 20 de maio de 2008

Sem tempo


Sem tempo...
Não tenho nome.

Não tenho cara.

Não tenho tempo.

Afora isto, sou para os outros a imagem que fazem de mim.

Esse nome.

Essa cara.

Esse tempo.

Uma idéia.

Mas não sou isto, nem aquilo.

Se quiser saber de mim,

Não me pressuponha.

Não me subestime.

Não me compare.

Não me en[quadre].

Não sou o que você pensa.

O meu peixe não está à venda.

Você poderá vê-lo.

Ao mergulhar, poderá tocá-lo.

Mas ele não te pertence.

Não sou o que você pensa.

A minha água é potável.

E ela parece fria enquanto ferve.

Gosto da língua portuguesa.

Mas não me basta o discurso vazio das doces bocas

Secas.

Eu preciso do som e do sal.

Tem que ter língua.

Tem que ter saliva.

Tem que ter pulso.

Tem que ter pulso.

Tem que ter pulso.

Agora

Tenho esse nome.

Tenho essa cara.

Tenho esse tempo.

Muitas idéias.

Mas se quiser saber de mim:

PRESTE ATENÇÃO!

do Lat. attentione

s. f.,

acto de atender;

aplicar o espírito fixamente em algo;

cuidado;

delicadeza;

cortesia;

(Eduardo Maldonado)


Temos todo o tempo do mundo? Temos? Lindo texto, Eduardo...em especial, o não me en[quadre]. Cada um é tanto; que não tem forma, forma, no espaço ou no tempo.

Tempo, tempo, tempo, tempo, tempo; cada um guarda mais o seu segredo...

Um comentário:

maldus disse...

Linda dama, obrigado pela homenagem (sim, isto foi uma homenagem! estou ao lado de grandes aqui!).
Escrevi este texto quando tava bem revoltado. Acho q esses sentimentos vulcânicos (to influenciado pelo Stromboli) fazem a gente ser produtivo, rs.
Um baccio.