quarta-feira, 26 de março de 2008

A natureza do tédio!


"As coisas que amamos,as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
no limite de nosso poder de respirar a eternidade.
Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam, absoluta,numa outra (maior) realidade.
Começam a esmaecer quando nos cansamos,
e todos nos cansamos, por um ou outro itinerário,
de aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor ao estado de utilidade.
Do sonho de eterno fica esse gozo acre na boca ou na mente,
sei lá, talvez no ar."
(A hora do cansaço - C.D.Andrade)

Fronteira, entre o sono que por dentro obra e o movimento que o externo cobra. Não mergulho, nem emerjo. Bocejo. João Ângelo Salvatori

Proposta: em fotografia, chama-se o "movimento culminante da ação", aquele em que a imagem revela a foto na totalidade de sua tensão. Você não acha que existe algo parecido com os textos acima?

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