
"Queria emprestar a você os meus olhos;
esses que não se detém nas manchas e texturas da pele;
esses que são cegos para o lado de fora,
mas caem direto no fundo dos seus;
esses que vêem solidão e doçura, rancores, perdão;
esses que vasculham sem convite a sua essência
e a compreendem sempre,ainda que demorem.
Se eu pudesse emprestar a você os meus olhos,
você nunca mais acreditaria nas revistas de moda e anúncios de tevê,
empurrando remédios, remendos,retalhos ao que já é tão bonito.
Você pentearia os seus cabelos
e botaria um vestido rodado,
a ser par do vento, essa noite.
E quando o seu menino chegasse,
só aceitaria ser amada com ternura,
para além das carnes,
para além da sua beleza física,
que é quando os corpos se encaixam ao mesmo tempo dos olhos;
e uma lágrima, caindo de um olho, pinga dentro do outro."(Rita Apoena)

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