quarta-feira, 26 de março de 2008

Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.


"Queria emprestar a você os meus olhos;

esses que não se detém nas manchas e texturas da pele;

esses que são cegos para o lado de fora,

mas caem direto no fundo dos seus;

esses que vêem solidão e doçura, rancores, perdão;

esses que vasculham sem convite a sua essência

e a compreendem sempre,ainda que demorem.

Se eu pudesse emprestar a você os meus olhos,

você nunca mais acreditaria nas revistas de moda e anúncios de tevê,

empurrando remédios, remendos,retalhos ao que já é tão bonito.

Você pentearia os seus cabelos

e botaria um vestido rodado,

a ser par do vento, essa noite.

E quando o seu menino chegasse,

só aceitaria ser amada com ternura,

para além das carnes,

para além da sua beleza física,

que é quando os corpos se encaixam ao mesmo tempo dos olhos;

e uma lágrima, caindo de um olho, pinga dentro do outro."(Rita Apoena)

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